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Inscrição para o Curso de Gestão Escolar - SEDUC
 

Modulo gestão pedagogica aula 4

Profª Cleire Maria do Amaral Rodrigues

Avaliação da aprendizagem e avaliação institucional

Nesta aula, vamos refletir sobre um assunto que está sempre presente em nosso dia-a-dia: a avaliação escolar. Mas, apesar de tão importante, é um assunto que ainda nos incomoda e que nos preocupa. Embora faça parte de nosso cotidiano, muitas vezes nos sentimos muito pouco à vontade com ela a avaliação – e não a tratamos com a naturalidade esperada.

Se faz parte de nosso dia-a-dia, se estamos sempre a avaliar e a ser avaliados, por que a avaliação nos assusta tanto? Você já pensou sobre isso?

Quando os professores estão reunidos como os colegas e a avaliação surge como assunto principal, quantas dúvidas e indagações aparecem. Mas, também, surgem muitas idéias, sugestões e relatos de experiências. Tudo isso nos faz pensar um pouco mais, refletir sobre nossa prática pedagógica. Nessa reflexão sobre a prática, necessitamos, muitas vezes, de alguns elementos, de algumas idéias desenvolvidas por estudiosos do assunto que também estão preocupados com a avaliação na escola. Organizamos esta aula pensando nisso.

Hoje procuraremos elaborar nosso proprio conceito de avaliação. E como ela é uma presença constante em nosso cotidiano, tem de ser compreendida, a partir de um conceito gerado na prática escolar.

ter um conceito de avaliação

não é falar sobre ela, mas é saber faze-la conscientemente, conhecendo os fundamentos que estão por trás da prática.

É saber, por exemplo, por que para cada tipo de conhecimento se deve utilizar um instrumento diferente. Ou então saber por que avalia semanalmente e não apenas ao final do bimestre.

Vamos, então, procurar compreender que tudo que fazemos de avaliação na escola tem por trás uma concepção de avaliação

Os objetivos específicos deste estudo serão:

•  Refletir sobre o significado da avaliação como um processo e como parte do trabalho escolar.

•  Identificar características de dois modelos de avaliação: o tradicional e o democrático e participativo.

•  Identificar os tipos e as funções da avaliação escolar.

 

O conceito de avaliação escolar

Inicialmente para estudarmos o conceito de avaliação a gente deve compreender que ela é um recurso pedagógico e como tal ela contribui para que a escola possa desempenhar seu papel na educação e na formação do aluno-cidadão. Embora nem sempre seja assim , uma escola pode fazer avaliação , mas é um tipo que não contribui para escola atingir seu propósito.

Quando pensamos em avaliação escolar, as primeiras idéias que surgem são: avaliação do aluno (realizada pelo professor), notas, aprovação e reprovação, sucesso e fracasso, prêmio e castigo. Mas, sempre do aluno. Por quê? Será o aluno o único sujeito que merece ser avaliado na escola? Será que na escola é só ele quem deve aprender? Será que, sozinho, ele faz o sucesso e o fracasso escolares?

Ora, o aluno precisa, sim, aprender e é um personagem muito importante, se não o mais importante, no contexto escolar. Mas há outros elementos a considerar. É pensando no aluno, nos seus direitos à educação e à cidadania que a escola deve se organizar e se estruturar. Essa organização resulta do trabalho de diversas pessoas, em diferentes níveis do sistema educacional. A forma como uma escola se acha organizada é expressão das idéias daqueles que dela participam e daqueles que elaboram as diretrizes para sua organização, seja em nível municipal, estadual, seja federal.

Se a organização da escola envolve tantas pessoas (direta ou indiretamente), tantas normas, diretrizes e parâmetros, na tentativa de assegurar uma boa educação aos alunos, por que será que, ao pensar em avaliação, pensamos em avalia primeiro ou somente o aluno? E mais: por que a idéia de avaliação está sempre associada à idéia de erros, falhas, limitações, deficiências?

Em nossa reflexão sobre avaliação escolar teremos, sim, o aluno como o principal sujeito do processo ensino-aprendizagem, mas não o único a ser avaliado. Ele será um dos elementos desse processo que participará da avaliação. Participará de diferentes formas e em diferentes momentos. Mas, antes de pensamos em avaliar o aluno, é necessário que pensemos na avaliação de uma maneira mais global, envolvendo tudo e todos que participam do processo educacional que acontece na escola.

Se eu lhe perguntar o que é avaliar? O que voce responderá?

Quando se pergunta o que é avaliar, as respostas mais comuns que encontramos são: avaliar é medir; avaliar é julgar; avaliar é valorizar; avaliar é julgar para tomar decisões; avaliar é verificar se os objetivos foram alcançados. Ao longo de nossas reflexões, tentaremos verificar qual ou quais dessas respostas são mais adequadas.

Dissemos que a avaliação está presente em nosso cotidiano, escolar ou não. Quando vai a uma festa, você comenta com alguém se gostou ou não dela. Nesse comentário, você pode simplesmente dizer que gostou ou não gostou. Mas também pode descrever a festa, relatando onde aconteceu, quem lá estava, quantos eram, como foi organizada, sem manifestar se gostou ou não, ou fazer qualquer comentário que qualifique o evento. Ou, então, você pode, ainda, comparar a festa com a expectativa que tinha da mesma. Uma outra possibilidade é você descreve-la, manifestar sua satisfação ou não, compara-la com sua expectativa e imaginar ou propor sugestões que contribuam para melhorar a próxima festa.

Como você vê, a apreciação ou a avaliação de uma festa pode se dar em diferentes níveis. O mesmo acontece com outras situações e avaliação. Pense em sua escola. Quantas atividades nela desenvolvida, espontânea ou formalmente, são avaliadas por todos aqueles que participam ou deveriam delas participar? Essas pessoas manifestam sua avaliação de diferentes maneiras. Como no exemplo da apreciação da festa, as avaliações sobre as atividades escolares podem ser feitas em diferentes níveis, desde o simples gostar ou não gostar até a avaliação seguida de sugestões para a melhoria dessas atividades.

Ao identificar a atividade e seu objetivo (por que e para que), descreve-la fazer sua apreciação e sugerir formas para melhorar uma próxima atividade, você teve de percorrer um caminho. Este caminho nos permite perceber o significado e a função da avaliação.

O primeiro passo é saber por que e para que ela foi realizada. Sabendo isso, é hora de obter várias informações sobre a atividade, isto é, a atividade pode ser observada, perguntas podem ser feitas, e as anotações devem ser registradas. Assim, voce tem a atividade descrita e avaliada. Mas ainda não terminou, voce precisa apreciar ou avaliar, aí as informações obtidas devem ser comparadas com os objetivos iniciais. Após essa comparação, você, vai julgar se a atividade foi boa ou não, enfim, você avaliou. Após a avaliação feita ,agora voce vai apresentar sugestões. Essas sugestões são base de novas decisões.

A partir deste detalhamento podemos concluir que :

Avaliar é refletir sobre uma determinada realidade, a partir de dados e informações, e emitir um julgamento que possibilite uma tomada de decisão.

Voltando àquele exemplo da festa que vimos acima, falamos que a avaliação pode ser realizada em diferentes níveis – do simples ato de dizer se gostamos ou não de um fato, até a avaliação seguida de novas proposições. Na realidade, ao falar em diferentes níveis de avaliação, estamos estabelecendo a diferença entre medir e avaliar. Sim, avaliar não é o mesmo que medir. Pois, Medir é apenas descrever uma realidade, ou seja, é obter dados e informações sobre ela.

Um exemplo bastante simples – medir uma carteira escolar – pode nos ajudar a perceber essa diferença. Raramente avaliamos uma carteira escolar, embora ela seja um objeto necessário e importante na escola.

Podemos medir as carteiras e registrar os dados obtidos, isto é, anotar as medidas da carteira. Em seguida, guardamos esses dados. Pronto! Medimos. Mas aí voce quer ir além da medida. E, então, vai se perguntar: por que medi essa carteira? Para que ou para quem deve servir essa carteira? Ela é adequada para os alunos da 1ª série?

Essas perguntas, e outras mais, nos levam a refletir sobre a adequação ou não da carteira, nos levam à avaliação.

É a avaliação que vai permitir que façamos sugestões, encaminhamentos e também a tomada de decisões: a carteira está adequada ou deve ser substituída? Agora sim, avaliamos!

Na escola de ensino fundamental, podemos observar que os professores nem sempre trabalham da mesma maneira. Uma das diferenças em seus trabalhos está na forma de avaliar. Alguns avaliam realmente, enquanto outros apenas medem a aprendizagem de seus alunos.

Avaliar é mais do que medir. A medida limita-se a constatar uma realidade, a obter dados e informações.

Para fazer uma avaliação dados e informações são importantes. Para obtê-los, precisamos dos instrumentos de avaliação, como, por exemplo: questionários, fichas de observação, provas, portifólios, roteiros de auto-avaliação, exercício etc.

Mas os instrumentos de avaliação, como o próprio nome indica, são recursos, são meios que utilizamos para alcançar determinados objetivos. Se são meios, sua escolha e sua construção devem ser orientadas pelos objetivos,. Os objetivos são resultados, produtos que idealizamos; são portanto, a manifestação do que desejamos.

Modelos de Avaliação

Quando escolhemos um caminho, um método de avaliação, adotamos algum modelo de avaliação. Os modelos de avaliação escolar são construídos a partir de teorias da educação que traduzem, portanto, diferentes concepções de homem, de sociedade, de educação, de processo ensino-aprendizagem, de trabalho pedagógico e de trabalho docente.

O modelo de avaliação mais comum em nossas escolas apresenta algumas características, como:

•  A preocupação com a objetividade dos resultados e dos instrumentos de medida: aspectos quantitativos;

•  A ênfase na avaliação de produto: conhecimento;

•  Pouca ou nenhuma participação dos sujeitos envolvidos no processo;

•  A preocupação com aprovação ou reprovação;

•  A ênfase na avaliação do aluno, com pouca ou nenhuma à avaliação de outros elementos que constituem o processo educativo.

Esse modelo é chamado de tradicional.

Outro modelo, que ainda é pouco presente em nossas escolas, caracteriza-se por apresentar maior preocupação com:

•  Valorização dos aspectos qualitativos da avaliação;

•  Preocupação com a avaliação de todo o processo, e não apenas avaliação do produto;

•  A participação de todos os sujeitos envolvidos no processo educativo;

•  Maior desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, focalizando mais o sucesso escolar do que a reprovação;

•  Preocupação com a avaliação de todos os que participam do processo educativo escolar e não apenas com a avaliação do aluno;

Esse modelo é chamado de democrático e participativo.

A escolha de um modelo de avaliação não é neutra nem arbitrária, ou seja, a escolha não é feita aleatoriamente, sem critérios. Ela é determinada pela concepção de educação , de ensino , de conhecimento que tem o pessoal que faz a escola.

Para a elaboração de um plano de avaliação, seja em nível de projeto político-pedagógico, de plano de desenvolvimento da escola, ou seja em nível de sala de aula pode tomar por base questões do tipo: o que avaliar? Para que avaliar? Quando avaliar? Como avaliar? Quem avalia?

Essas perguntas possibilitam elaborar o sistema de avaliação da escola e também projetos de trabalho que tenham como principal objetivo colocar em prática o desenvolvimento de uma avaliação democrática e participativa. Seja a nivel de sala de aula ou de escola como instituição

A lei nº 9.394/96 (lei de diretrizes e bases da educação), quando trata da avaliação na educação básica no artigo 24, inciso v, diz:

“...a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:

•  Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;

•  Possibilidade de aceleração de estudos para aluno com atraso escolar;

•  Possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;

•  Aproveitamento de estudos concluído com êxito;

•  Obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos”.

Para seguir as recomendações da lei o gestor deve em conjunto com sua equipe analisar se o projeto politico pedagógico da escola está em conformidade com a lei e depois deve tratar de organizar o seu trabalho tendo sempre em vista o que está dito no projeto político-pedagógico, no plano de desenvolvimento e no regimento da escola. Esses documentos servirão de referência para o planejamento e a execução da avaliação.

Funções da avaliação

As funções da avaliação devem ser consideradas sob a ótica da democracia e da participação, sem perder de vista que ela é parte integrante do projeto pedagógico da escola. A avaliação não é uma atividade que acontece à margem do processo de ensino-aprendizagem, do trabalho pedagógico na escola. Ela faz parte desse processo, por isso não deve ser deixada somente para o final.

A avaliação antecede, acompanha e sucede o trabalho pedagógico, possuindo, pois, funções diferentes conforme o momento em que aconteceu.

A avaliação que antecede a elaboração de um projeto pedagógico, de um plano de curso, de um plano de unidade ou de qualquer outra atividade é a avaliação diagnóstica. Essa avaliação tem como função básica :

Informar sobre o contexto em que o trabalho pedagógico irá se realizar, bem como sobre os sujeitos que participarão desse trabalho. Ela fornecerá subsídios para uma tomada de decisão mais ampla, ou seja, para que seja traçado um plano geral de trabalho.

Só após conhecer a realidade com a qual vamos trabalhar é que podemos definir nossos objetivos e, conseqüentemente, o caminho a ser percorrido para alcança-los. Dentre os recursos utilizados para obter os dados e as informações, temos: questionário; observação; entrevista; análise de resultados do período anterior; seminários.

Mas a avaliação diagnóstica pode acontecer, também, após a definição dos objetivos. Vejamos um exemplo: o projeto político-pedagógico, o plano de desenvolvimento ou o regimento da escola podem ter entre seus objetivos a elaboração de projetos de recuperação paralela dos alunos. As atividades de recuperação só poderão ser planejadas após ser feito o diagnóstico das dificuldades apresentadas pelos alunos. Ou seja, é necessário saber quais são as dificuldades (avaliação formativa) e o porquê dessas dificuldades (avaliação diagnóstica). Esse diagnóstico deverá ser feito sempre que a recuperação for necessária. Para isso poderão ser usados diversos recursos, como:análise das provas e dos exercícios, para verificar em quais questões os alunos apresentam maior dificuldade; observação; trabalhos individuais.

A avaliação, portanto, contribui para ajudar no alcance dos objetivos do trabalho pedagógico. A avaliação diagnóstica, juntamente com a avaliação formativa, que estudaremos a seguir, possibilitarão uma ênfase maior na avaliação do processo, conforme recomenda a ldb. A avaliação do processo bem feita, seguida de decisões e ações que ajudem os alunos a aprender mais e melhor, garantirá bons resultados na avaliação final.

A avaliação formativa nos ajuda a captar os avanços e as dificuldades que forem se manifestando ao longo do processo, ainda em tempo de tomar providências para afastar as dificuldades percebidas. Sua função é:

Informar sempre o que está acontecendo. Essa informação, contudo, não pode ser apenas descritiva, ela deve ser realmente avaliadora, possibilitando novas decisões, sempre que essas se fizerem necessárias, o que quase sempre acontece.

A avaliação como parte integrante de um projeto pedagógico ou de qualquer outra atividade deve ser tão dinâmica quanto estes, pois elas fornecem as bases para as novas decisões que se fazem necessárias ao longo do processo de realização. Um projeto, mesmo quando bem elaborado inicialmente, está em permanente construção, demandando sensibilidade e disposição para a mudança de todos o que dele participam. Essa predisposição exige uma nova concepção de avaliação, que é condição para o sucesso do projeto em desenvolvimento.

Os resultados da avaliação formativa, muitas vezes,nos mostram a necessidade de rever nossos planos, de fazer mudanças em algumas decisões tomada antes. A avaliação formativa e a avaliação diagnóstica, isto é, a avaliação do processo, possibilitará a tomada de decisões durante o desenvolvimento do trabalho pedagógico e contribuirão para garantir o sucesso escolar.

Além desses dois tipos de avaliação, temos ainda uma avaliação somativa . A avaliação somativa acontece no final de um trabalho desenvolvido. Pode ser no final: de uma unidade de estudos, de um bimestre, de um projeto desenvolvido, do semestre ou do ano letivo. A avaliação somativa preocupa-se com o resultado final – o produto alcançado.

Resumindo, vimos que a avaliação possui funções diferentes e que devemos usa-las de acordo com nossas necessidades, conforme precisemos:

•  De uma avaliação diagnóstica, para elaborarmos um plano mais adequado a determinada escola, curso, disciplina, área de estudo, turma;

•  de uma avaliação formativa, para acompanharmos todo o processo, evitando que alguma falha venha a comprometer o sucesso de todo o trabalho;

•  De uma avaliação formativa que nos dê uma informação sobre o resultado final obtido.

Acredito que você concordará se dissermos que devemos usar os três tipos, só que a ênfase em cada um deles dependerá do modelo de avaliação adotado. Lembra-se dos modelos apresentados na seção 2? Pois é o modelo que consideramos mais apropriado a um projeto pedagógico dinâmico, que busca a transformação da realidade, é o modelo democrático e participativo, que enfatiza a avaliação formativa. Podemos, pois, afirmar que a ênfase na avaliação de processo não diminui a importância da avaliação de produto. As três funções da avaliação são interdependentes, isto é, elas dependem uma das outras e se completam.

A avaliação é ponto de partida e ponto de chegada de todo e qualquer trabalho pedagógico.

 

Ao destacarmos que a avaliação é ponto de partida e ponto de chegada de todo e qualquer trabalho pedagógico, estamos reafirmando que as três funções da avaliação, diagnóstica, formativa e somativa, estarão sempre presentes no trabalho da escola.

As informações obtidas na avaliação diagnóstica, associadas aos conhecimentos do professor, possibilitarão a tomada de decisões. Essas decisões vão se transformar no plano de trabalho e depois vão se concretizar no desenvolvimento desse plano. Nesse momento – durante a execução do plano – estará sendo realizado a avaliação formativa.

A avaliação institucional na escola.

Para a escola desempenhar o papel que a sociedade espera dela, enfatizam-se, hoje, os princípios da autonomia . A autonomia permite que escola assuma sua própria gestão com liberdade para encontrar a melhor sintonia com a comunidade que atende, de modo a desenvolver a relevância social e econômica da educação que oferece.

De outro lado, a autonomia das escolas liberou os órgãos educacionais de suas antigas funções administrativas, substituindo-as pelas funções de avaliação da qualidade e de assessoramento às redes de ensino. Isto significa que , as secretarias de educação , agora , deixam para a escola algumas funções meramente administrtivas e podem assumir mais o papel de dar apoio ao funcionamento das escolas e avaliar a qualidade do ensino oferecido

A contrapartida da autonomia é a transparência. Ela vem associada à necessidade de avaliação não só do aprendizado dos alunos, mas também dos professores e da escola como um todo. Somente dessa maneira pode-se:

1) prestar contas à sociedade que, afinal, é quem paga a educação que recebe; e

2) realimentar o processo educativo que a escola desenvolve, revelando erros e acertos que servem para redirecionar práticas e reformular as estratégias que devem levar aos objetivos visados.

O gestor e a equipe escolar devem perceber a avaliação como:

  • Um processo contínuo de aperfeiçoamento do ensino;
  • Uma ferramenta para o planejamento e gestão compartilhada da escola; e
  • Um processo sistemático de prestação de contas à sociedade.

Avaliar significa acompanhar mais de perto, aumentando as interações entre a equipe para aprimorar as ações da escola como um todo. E também verificar se as funções e prioridades determinadas coletivamente estão sendo realizadas e atendidas com os resultados esperados. É este contraponto entre o pretendido e o realizado que dá sentido à avaliação.

A escola de ensino fundamental pública tem necessidade de se auto-avaliar e de ser avaliada externamente devido ao caráter público de suas ações. Como seu custeio e resultados afetam toda a sociedade, ela deve ser avaliada em termos de sua eficácia social e da eficiência de seu funcionamento

A avaliação institucional, interna e externa são também maneiras de estimular a melhoria do desempenho e de evitar que a rotina descaracterize os objetivos fundamentais. A avaliação institucional preocupa-se essencialmente com os resultados das ações educativas da escola, em particular, os relativos a ensinar e aprender. Deve ser um processo contínuo e aberto, no qual os setores da escola - pedagógicos e administrativos - reflitam sobre seus modos de atuação e os resultados de suas atividades em busca da melhoria da escola como um todo.

Além de valer-se da racionalidade dos meios, usando aferições quantitativas e indicadores clássicos, a avaliação institucional abrange dimensões qualitativas, inclusive, aquelas vinculadas ao projeto político pedagógico da escola.

Ao se avaliar não se espera eliminar todas as discordâncias, dúvidas e contradições características do cotidiano escolar. No entanto, a avaliação deve contribuir para revelar e estimular a identidade própria de cada escola, preservando também a pluralidade de opiniões que é constitutiva de qualquer escola.

Princípios

tendo em vista a descentralização dos procedimentos e a tomada de decisão colegiada inerente aos princípios da autonomia da escola, uma avaliação institucional das atividades da escola deve ser desenvolvida tendo em vista alguns princípios básicos:

  • Aceitação ou conscientização da necessidade da avaliação por todos os segmentos envolvidos, dos executores aos beneficiários;
  • Reconhecimento da legitimidade e pertinência dos critérios a serem adotados;
  • Envolvimento direto de todos os segmentos da comunidade escolar _ interna e externa _ na execução e na implementação de melhoria do desempenho escolar, tanto administrativo (gestão), quanto pedagógico (ensino).

Objetivos.

Rever e aperfeiçoar o projeto político - pedagógico da escola, promovendo a melhoria da qualidade, pertinência e relevância das atividades desenvolvidas na área pedagógica e na administrativa.

Em face deste objetivo geral, pode-se ressaltar os seguintes objetivos específicos :

1. Alimentar o interesse de se auto-avaliar como meio de conhecer melhor e garantir a qualidade de gestão, bem como, de prestar contas à sociedade e de verificar a consonância dos resultados da escola com as demandas sociais, tanto as que se relacionam à satisfação pessoal dos alunos, egressos, suas famílias e equipes da escola, quanto as que se relacionam ao mundo do trabalho;

2. Conhecer melhor como as tarefas pedagógicas e administrativas estão sendo realizadas e articuladas em benefício da função principal de educar;

3. (re)estabelecer compromissos com a sociedade, explicitando as diretrizes do projeto político-pedagógico e os fundamentos de um programa sistêmico, e participativo de avaliação. Este programa deve permitir o constante reordenamento, consolidação e/ou reformulação das ações escolares, mediante diferentes formas de divulgação dos resultados da avaliação e das ações dela decorrentes ;

4. Estudar, propor e implementar mudanças no cotidiano das atividades pedagógicas e administrativas, contribuindo para a formulação de projetos político-pedagógicos cada vez mais socialmente legitimados e relevantes.

Características:

  • Levar em consideração os diversos aspectos inter-relacionados das atividade-fim (pedagógicas) e das atividades de apoio (técnico-administrativas);
  • Buscar a participação dos membros das comunidades interna e externa da escola; participação esta que deve abranger a implementação das medidas voltadas ao aperfeiçoamento da escola;
  • Inspirar uma atitude permanente de observação, reflexão, crítica e aperfeiço-amento dos objetivos e prioridades da escola.

A avaliação institucional deve prestar-se para auxiliar na identificação e na formulação de políticas, ações e medidas institucionais que impliquem atendimento específico ou subsídios adicionais para aperfeiçoamento de insuficiências encontradas.

Além dessas características que lhe oferecem legitimidade política, a avaliação institucional precisa ser legitimada sob a perspectiva técnica. A legitimidade técnica do processo depende da:

1. Metodologia - além de construir indicadores adequados, pode utilizar-se de procedimentos quantitativos e qualitativos e oferecer modelos analíticos e interpretativos apropriados aos objetivos do processo avaliativo;

2. Fidedignidade da informação - a existência do clima de confiança e de uma base de dados confiáveis.

Etapas do processo de avaliação institucional

1- sensibilizar

  • A escola deve realizar diversas reuniões e encontros, para sensibilizar professores, alunos, funcionários e membros da comunidade usuária para as vantagens e perigos da avaliação.
  • Para iniciar o processo de sensibilização a escola pode convidar especialistas em avaliação institucional.
  • Para participar tem que conhecer, por isso é interessante fornecer textos para a discussão do assunto e aprofundar o conhecimento sobre avaliação institucional.

Depois que todos tiverem entendendo como será realizada a avaliação , para que serão utilizados os resultados , ai já se pode dar inicio ao diagnóstico da realidade

2- diagnosticar

é o ponto de partida e vai ser necessário coletar um conjunto comparável de informações que permitam entender a verdadeira situação da escola . Os dados serão organizados de forma a permitir a geração de indicadores e interpretações para avaliar

3- avaliação interna

quando já dispuser das informações coletadas sobre a situação da escola, chega o momento de reflexão e debate interno da escola sobre suas diversas dimensões, em um processo de auto-avaliação. Isto significa que a partir de um conjunto de indicadores e inferências, a escola possa analisar os vários dados, gerando relatórios que reflitam como a escola percebe a si mesma. Nesta etapa, a participação de professores, alunos e funcionários é fundamental.

Para facilitar o entendimento vamos estudar algumas dimensões e dentro delas estão os indicadores.

É claro que o que mostraremos aqui será apenas uma sugestão. Quanto mais autonoma for uma escola mais preparada ela estara para definir as nimensões e os indicadores que quer avaliar

a) avaliação das séries

aqui é necessário considerar três conjuntos de elementos:

  • Condições - corpo docente; corpo discente; corpo técnico-administrativo; infra-estrutura; perspectivas utilizadas na definição e organização do currículo; perspectivas do mercado de trabalho e perfil profissional para este nível de escolaridade.
  • Processos - interdisciplinaridade, institucionalização, qualificação do corpo docente e sua adequação às diferentes atividades na série (domínio dos conteúdos, planejamento, comunicação, compromisso com o ensino); avaliação da aprendizagem (critérios claros e definidos, identificação precoce das dificuldades de aprendizagem, uso de avaliação para diagnóstico, relevância dos conteúdos avaliados, variedade de instrumentos, prevenção da ansiedade estudantil); integração entre os professores da série e da escola com a comunidade.
  • Resultados - capacitação dos alunos concluintes como cidadãos, em termos gerais, e como indivíduos produtivos (trabalhadores, empreendedores) em atividades que exigem o nível de escolaridade (ensino fundamental); análise comparativa com mesmas séries de outras escolas e entre as mesmas séries da escola.

B) avaliação da disciplina

As disciplinas , ou componentes curriculares devem ser avaliados tomando por base os seguintes critérios:

  • Objetivos da disciplina, plano de ensino, fontes de consultas/bibliografia por parte dos alunos e dos professores;
  • Procedimentos didáticos, métodos e equipamentos;
  • Instrumentos de avaliação, conteúdos das avaliações, atividades práticas
  • Condições técnicas: pessoal qualificado e infra-estrutura disponíveis para o desenvolvimento das disciplinas.


c) avaliação do desempenho docente

  • Desempenho didático-pedagógico
  • Interesse e participação nas demais questões da escola- o trabalho do professor não se restringe a sala de aula professor também exerce papeis fora dela , por exemplo ele tem um importante papel na elaboração e reestruturação do projeto politico pedagógico
  • Aspectos éticos

D) avaliação do aluno

O desempenho do aluno pode ser avaliado de acordo com seu rendimento escolar, inclusive nos anos anteriores e por sua participação nas diversas atividades escolares (esportivas, culturais, etc.).

Além dos aspectos físicos e cognitivos, deve-se considerar ainda os problemas sociais que interferem na aprendizagem escolar (ligados à violência, ao ambiente escolar e familiar, ao uso de drogas),.

E) avaliação de pessoal técnico-administrativo

O desempenho do pessoal administrativo pode ter os seguintes critérios como condutores de sua avaliação:

  • Compreensão do valor das atividades de apoio para a concretização do ensino de boa qualidade,
  • Cuidado relativo à documentação escolar, espaço físico
  • E por sua motivação no trabalho.

F) avaliação da gestão escolar

a avaliação do desempenho da equipe de gestão escolar pode ter os seguintes critérios :

  • Competência do colegiado em deliberar em conjunto,
  • Estar atento aos aspectos administrativos e pedagógicos
  • E mostrar capacidade em realizar a integração escola/comunidade.

4- A valiação externa

Ela introduz um componente novo e estimulante no âmbito da escola.

Requer dos avaliadores externos e das comunidades da escola, capacidade de discriminação, disponibilidade para o diálogo e sentido de participação. A avaliação externa tem o papel de complementar e validar a avaliação interna. Seu ponto de partida é o relatório da auto-avaliação e ela contempla os mesmos aspectos da avaliação interna, sempre em uma perspectiva complementar.

Para encerrar deixamos duas observações sobre avaliação institucional, para reflexão:

  • Sempre criticamos os que resistem a mudanças, como se nós não resistíssemos a elas. Na verdade, resistência a mudanças não é pejorativo, faz parte do ser humano. Sempre que algo afeta valores, emoções, comportamentos e conhecimentos, passamos a ter resistência. Procuramos permanecer em uma zona de conforto. A nossa tendência é nos protegermos dos problemas, evitando o desconhecido. Refugiamo-nos nos valores e nos hábitos que já conhecemos. Como estamos vivendo um período de transição, incertezas, a preservação não é uma boa opção e entendemos que o verdadeiro aprendizado sempre ocorre fora da zona de conforto.
  • Precisamos ter uma escola ágil, que valorize a si mesma e seja capaz de se questionar, uma escola com ambições, que projete um futuro para si, que aspire a excelência e esteja disposta a reconhecer e aprender com seus erros; uma escola capaz de conviver com mudanças e de suspeitar de longas calmarias, porque aprendeu que a mudança é a regra e a estabilidade, a exceção. O que se espera é que todos - professores, alunos, funcionários, membros da comunidade externa - se identifiquem com o trabalho que realizam. Quando esta identificação existe, a escola deixa de girar no mesmo lugar, repetindo as mesmas rotinas ano após ano, porque energias positivas são liberadas e a escola ganha vitalidade, sinergia e rumo.

Referências Bibliográficas

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ENSAIO: avaliação e políticas públicas em educação , v.3, no 8, rio de janeiro: Fundação Cesgranrio, 1995.

HOFFMANN,J. Avaliação – Mito&Desafio. Porto Alegre:Mediação .1991

LUCKESI, C.C.Avaliação da Aprendizagem Escolar.São Paulo.Cortez.1995

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO. Anais. Rj: Cesgranrio, outubro, 1995.

SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL: uma reflexão crítica. Anais. Rj: Cesgranrio, outubro, 1993.

 

 
 
 
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